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terça-feira, 1 de maio de 2012

TESTEMUNHAS DE JESUS RESSUSCITADO

Todos os dias, somos surpreendidos por uma verdadeira avalanche de más notícias que vão fragilizando nossa esperança e comprometendo nossa confiança nas pessoas. Vimos, na semana passada, através dos meios de comunicação, ministros do Supremo Tribunal Federal, tratarem-se de forma grosseira e fazerem acusações mútuas; também vimos crescer o comprometimento dos partidos políticos com a corrupção que envolve muitos de seus membros, nossos representantes no Senado e na Câmera Federal, sem falar da ramificação da corrupção para os níveis estaduais e municipais! Enquanto isso, vemos o descaso com a saúde pública, a educação e assuntos importantíssimos como o Código Florestal, a defesa dos nossos índios e a reforma agrária são temas que sofrem pressão do poder econômico e de empresas nacionais e internacionais interessadas pelo lucro financeiro, comprometendo o futuro de nosso meio ambiente e da maioria da população, não só do Brasil, mas em todo o planeta. 

Diante de todos esses acontecimentos e de tantos outros que ocorrem no Brasil e no mundo, nós cristãos estamos celebrando o tempo pascal, no qual afirmamos a vitória de Jesus sobre o pecado e a morte. Já estamos na terceira semana do tempo pascal e palavra chave que ocorre frequentemente na Palavra de Deus e nas orações é a palavra “testemunho”. Ser cristão é testemunhar com a palavra e com gestos concretos a presença de Jesus ressuscitado entre nós, fortalecendo a nossa fé, dando-nos esperança e nos comprometendo com a construção de um mundo melhor, orientado pelos valores do Reino do Pai. 

No Evangelho lido ontem na Eucaristia dominical, retirado do capítulo 24 do Evangelho segundo São Lucas, vimos a alegria dos discípulos de Emaús que fizeram a experiência de Jesus ressuscitado no caminho de casa, quando voltavam de Jerusalém para Emaús, cheios de dúvidas e amargando a derrota de Jesus diante dos poderes deste mundo! Mas Jesus conversa com eles, abre o coração para compreenderem as Escrituras e no gesto do partir o pão, é reconhecido por eles vivo e ressuscitado! Enquanto os discípulos de Emaús contam aos demais discípulos o ocorrido no caminho, o próprio Jesus lhes aparece e saúda com a saudação pascal: “A paz esteja convosco!” Jesus fortalece a fé de seus discípulos, ilumina suas inteligências com a explicação das Escrituras e os compromete com a missão de irem ao mundo todo anunciarem a conversão e o perdão dos pecados, construindo no mundo corrompido pelo pecado e pela morte uma nova vida nascida da força de Sua ressurreição! 

É isto que devemos meditar, compreender, celebrar e viver neste tempo da Páscoa e todos os dias de nossa vida: deixar que o Espírito Santo, enviado do Pai por Jesus nos faça, como Igreja no mundo, testemunhas da ressurreição e da vida abundante que o Pai quer para toda a humanidade. 

Desta forma, diante de tantas más notícias que nos chegam de todos os lugares, vamos, primeiramente dando a boa notícia anunciada por nosso testemunho de cristãos e, ao mesmo tempo, vamos lutando por um mundo melhor, mais justo e fraterno, no qual os valores do Reino do Pai vão formando o nosso coração e conduzindo nossas palavras e atitudes. Nesta nova realidade, que nasce da fé em Jesus ressuscitado, vemos as crianças e os jovens serem formados pelo exemplo dos mais velhos e vai-se delineando uma nova humanidade. É isto que é ser cristão! E isto que devemos viver e fazer acontecer todos os dias, começando dentro de nossa casa, entre os membros de nossa família. É isto que nos faz testemunhas de Jesus ressuscitado!

Frei Marconi Lins, OFM
Ministro Provincial

segunda-feira, 30 de abril de 2012

TENDÊNCIAS CONSERVADORAS


Hoje, no Brasil, não há oposição a este governo. Nem de esquerda nem de direita. Ao contrário, uma grande maioria considera este o melhor governo de todos. O segredo é que Dilma conquistou o apoio da classe média, e Lula e as políticas sociais têm mantido a popularidade da presidente nos setores populares.

O governo parece apostar no desenvolvimento do mercado interno para se defender da queda das exportações e diminuir a vulnerabilidade da economia. E dispõe de instituições como o BNDES, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e a Petrobras, que podem induzir novas estratégias de desenvolvimento.

Fomentar o mercado interno parece ser uma medida acertada. Mas crescimento não é mais sinônimo de desenvolvimento. Se conduzido nos parâmetros de desenvolvimento atuais, esse crescimento deve levar a uma ainda maior concentração da riqueza e à manutenção de níveis de desigualdade que se reproduzem há décadas e permanecem basicamente inalterados. Mas a situação traz outras possibilidades: dinamizar o mercado interno pode também favorecer uma redistribuição mais acelerada da riqueza.

As políticas sociais não têm sido capazes de reverter o quadro de desigualdade de forma estrutural. Nem têm esse propósito. Para superar a desigualdade, é preciso outro modelo de desenvolvimento, outros atores como protagonistas. Nesse campo de disputas quanto aos sentidos do desenvolvimento, o reconhecimento de que cada território é um território único, distinto, singular, abre espaço para a mobilização democrática e produtiva do território, principalmente com a mobilização dos pequenos e médios produtores, o que pode contribuir para a construção de um novo projeto.

Essa lógica que organiza nossa sociedade, levando ao 1% quase toda a riqueza, reproduz-se por força das pressões dos lobbies empresariais, especialmente do setor financeiro. E se converte em políticas de Estado. O Estado, capturado por esse poder, passa então não apenas a financiar o setor privado, mas também a garantir em última instância todas as dívidas que ele venha a contrair.

Uma grande lacuna na estratégia de desenvolvimento brasileira é a questão ambiental. O que não é casual, uma vez que predomina a lógica da facilitação dos negócios das grandes empresas. A questão de garantir as exportações, por exemplo, demonstra essa hegemonia. Mesmo que as exportações não ultrapassem 15% do PIB brasileiro, são elas que balizam as políticas macroeconômicas e ambientais. Para além da questão ambiental, há também elementos das culturas locais que são desconsiderados nessas políticas impostas de cima para baixo, como é a questão da permanência de povos originários que estão sendo desalojados em virtude da instalação de macroestruturas financiadas, muitas vezes, com recursos públicos − a exemplo dos quilombolas de Alcântara e dos grupos indígenas de Belo Monte.

O Brasil age como se estivéssemos no início do século XX. A sociedade brasileira e os governos ainda não se deram conta da urgência da questão ambiental. O aquecimento global é responsável pelas chuvas torrenciais e desabamentos, por exemplo, no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, pelos ciclones que agora existem no Sul do país, pela desertificação de parte do semiárido nordestino, por enchentes sem precedentes, e nem por isso o governo federal aplica de forma adequada políticas de sustentabilidade ambiental, tampouco o papel de regulação do município tem sido aprimorado.

Ainda que o país tenha uma matriz energética das mais limpas em razão do peso das hidrelétricas, o governo federal ignora o desastre nuclear de Fukushima e mantém o propósito de construir usinas nucleares, na contramão de todo um movimento mundial que condena hoje a energia nuclear.

Ao que parece, o que ocorreu com o Código Florestal pode ser o indicativo de uma tendência: o surgimento de mobilizações de direita, articuladas com a pressão de lobbies sobre o Congresso, que buscam ampliar as vantagens da exploração econômica sacrificando direitos e o meio ambiente. O agronegócio conseguiu colocar 30 mil pessoas em uma concentração em frente ao Congresso.

E outra vez a agenda nacional é, na verdade, uma agenda universal, que trata de um modelo de produção e consumo que se tornou insustentável.

A crise vai ter um custo, mas quem vai pagar? E quanto mais agudos forem os impactos da crise internacional no Brasil, maiores serão os conflitos e as disputas pelos recursos públicos. A questão da defesa dos direitos humanos se coloca imediatamente. Sem mais democracia, essa desigualdade vai crescer, e com ela a violência, os conflitos sociais. Sem mais cultura cívica, o contrário do que apresenta a TV aberta, o caminho é a polarização de interesses, com a direita mais à vontade para defender às claras sua agenda conservadora.

por Silvio Caccia Bava
Silvio Caccia Bava é editor de Le Monde Diplomatique Brasil e coordenador geral do Instituto Pólis.

quarta-feira, 7 de março de 2012

QUARESMA: SILENCIAR, REVER A VIDA, RECOMEÇAR...

Estamos vivendo o tempo da Quaresma que nos prepara para celebrarmos a festa maior de nossa fé cristã: a Páscoa do Senhor.
Durante quarenta dias, somos chamados a viver nosso dia a dia dentro de um clima de conversão, isto é, de mudança de vida, de volta ao coração de Deus, avaliando como estamos vivendo a nossa vocação e missão de cristãos num mundo sempre mais desafiador.

Somos chamados como Igreja a respondermos com profundidade a algumas perguntas fundamentais para nossa fé? O que significa ser cristão e estar no mundo como discípulo de Jesus Cristo? O que significa acreditar na morte e ressurreição de Jesus Cristo? Como estamos vivendo nosso batismo?

Durante quarenta dias, somos chamados a responder essas perguntas, num clima de silencio, de oração e de compromisso com a realidade que nos cerca. Na quarta-feira de cinzas a palavra de Deus nos propôs reconhecer nossa fragilidade – somos pó, cinzas – mas se ouvimos o que o Senhor nos diz e nos deixamos guiar por seus mandamentos a nossa vida limitada se torna plena pela força do Filho de Deus, Jesus Cristo, que nos amou até a morte de cruz.

A Quaresma lembra os quarenta dias que Jesus passou no deserto, preparando-se para assumir Sua missão no mundo, conforme a vontade do Pai e a ação do Espírito em Sua vida. Lá no deserto Ele foi tentado pelo demônio resistindo a todas as seduções do mal com a força da Palavra de Deus, pois, como disse Ele ao tentador, “nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4).

A quaresma anual que vivemos como Igreja e seguidores de Jesus, é um tempo suficiente para olharmos nossa vida e avaliarmos nossa fidelidade ao Senhor. É tempo de conversão, de mudança de vida. Vivemos em meio a muitas seduções. O barulho do mundo atrapalha a escuta da Palavra de Deus. É preciso, então, dar um tempo, buscar o deserto para reaprender a ouvir o que o Senhor está nos dizendo e pedindo que façamos para que a vida se torne abundante e plena e não uma rotina onde vivemos oprimidos e seduzidos pelo busca desenfreada do ter, do poder e do prazer.

A exemplo de Jesus, busquemos um lugar de silencio para ouvir a voz do Pai e deixar que ela converta nosso coração. Não preciso ir longe, basta parar um momento suficiente durante o dia. Pode ser em casa, acordando um pouco mais cedo; pode ser indo a uma igreja... O importante é que em Cristo nos reconciliemos com Deus e não recebamos a graça de Deus em vão (cf. 2Cor 5,20.6,1).

O Senhor lhes dê a Paz!

Frei Marconi Lins, OFM
Ministro Provincial

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

"A FRATERNIDADE E A SAÚDE PÚBLICA" É O TEMA DA CF 2012

“Converte-te e crê no Evangelho”!

Ao recebermos a imposição das cinzas, no início da quaresma, somos convidados a viver o Evangelho, viver da Boa Nova. A Boa Nova que recebemos é Jesus Cristo. Ele abriu um novo horizonte para todas as pessoas que nele creem.

Crer no Evangelho é crer em Jesus Cristo que na doação amorosa da cruz deu-nos vida nova e concedeu-nos a graça de sermos filhos do Pai. Com sua morte transformou todas as realidades, criando um novo céu e uma nova terra.

A quaresma é o caminho que nos leva ao encontro do Crucificado-ressuscitado. Caminho, porque processo existencial, mudança de vida, transformação da pessoa que recebeu a graça de ser discípulo missionário. A oração, o jejum e a esmola indicam o processo de abertura necessária para sermos tocados pela grandeza da vida nova que nasce da cruz e da ressurreição.

Assim, atingidos por Ele e transformados n’Ele, percebemos que todas as realidades devem ser transformadas, para que todas as pessoas possam ter a vida plena do Reino.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) promove a Campanha da Fraternidade, desde o ano de 1964, como itinerário evangelizador para viver intensamente o tempo da quaresma.

A Igreja propõe como tema da Campanha deste ano: “A fraternidade e a Saúde Pública”, e com o lema: Que a saúde se difunda sobre a terra (cf. Eclo 38,8). Deseja assim, sensibilizar a todos sobre a dura realidade de irmãos e irmãs que não têm acesso à assistência de Saúde Pública condizente com suas necessidades e dignidade. É uma realidade que clama por ações transformadoras. A conversão pede que as estruturas de morte sejam transformadas.

A Igreja, nessa quaresma, à luz da Palavra de Deus, deseja iluminar a dura realidade da Saúde Pública e levar os discípulos-missionários a serem consolo na doença, na dor, no sofrimento e na morte.

E, ao mesmo tempo, exigir que os pobres tenham um atendimento digno em relação à saúde. Que ela se difunda sobre a terra, pois a salvação já nos foi alcançada pelo Crucificado.

À nossas Comunidades, grupos e famílias, uma abençoada caminhada quaresmal e celebremos a Jesus Cristo que fez novas todas as coisas.

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Secretário Geral da CNBB

Pe. Luiz Carlos Dias
Secretário Executivo da CF

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/n/?p=11439
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