visitas

domingo, 22 de janeiro de 2012

MINISTRO PROVINCIAL ACOLHE A NOVA TURMA DE NOVIÇOS


O Ministro Provincial, Frei Marconi Lins, OFM, na celebração eucarística do dia 20 de janeiro de 2012, no Convento de Nossa Senhora do Rosário em João Pessoa-PB, acolheu 07 postulantes para o Noviciado na Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil. Depois da vestição eles permanecerão na fraternidade até o dia 03/02 e terão o acompanhamento de Frei Anastácio e Frei Hermano Heyens. Que o Espírito Santo acompanhe estes nossos irmãos nesta etapa de formação. Sejam bem vindos!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

NOSSO CAPÍTULO PROVINCIAL 2012

Desde o dia 3 de janeiro, nós, frades menores da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil, estamos reunidos no aprazível convento de Santo Antônio, em Lagoa Seca, PB, para celebrar nosso Capítulo Provincial.

O Capítulo Provincial é nossa assembleia geral, celebrada a cada três anos com a finalidade de avaliar e planejar nossa vida e missão de frades menores, levando em conta a nossa presença e nosso testemunho nos lugares e realidades onde estamos presentes no nordeste (Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia), também no Pará, na Missão entre os índios Tiriyó, na fronteira com o Suriname, na Casa de Apoio à Missão, em Belém, e na Alemanha. Neste Capítulo escolhemos o governo da Província, isto é, a equipe de animação da vida e missão dos 150 frades que formam nossa Fraternidade. Essa equipe é formada pelo ministro provincial, vigário provincial (ou vice-provincial) e seis definidores (conselheiros).
O tema do Capítulo é: Partindo novamente do Evangelho, somos uma Fraternidade em missão. Com esse tema queremos voltar a nossas origens e encontrar São Francisco nos dizendo “Esta é a regra e a vida dos frades menores: observar o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, vivendo em obediência, sem nada de próprio e em castidade” (RB1,1). O Evangelho, que é o próprio Jesus, mudou a vida de Francisco de Assis, fazendo-o um homem novo, disposto a viver pobremente, anunciando pelo exemplo e pela palavra o amor de Deus para com toda a humanidade e todas as criaturas. Logo apareceram alguns companheiros para viver e caminhar com Francisco e assim nasceu a ORDEM DOS FRADES MENORES, que hoje está espalhada por toda face da terra e com uma história de 800 anos.

Como parte desta Fraternidade universal (a Ordem dos Frades Menores), somos chamados e enviados por São Francisco a viver o Evangelho na Igreja e no mundo, pela vida que vivemos entre nós frades e na missão evangelizadora nas diversas realidades onde estamos presentes.

Desenrolar do Capítulo

No dia 3 de janeiro, terça-feira, foram chegando os frades capitulares, isto é, aqueles que por direito são membros do Capítulo: os animadores das fraternidades, chamados guardiães e os que representam o conjunto dos 150 frades e que foram escolhidos pelos frades em votação ou nomeação: os deputados, representantes dos frades estudantes e os que estão a serviço do Capítulo (secretaria, liturgia, animação e saúde). Como o Capítulo é aberto, outros vieram e em alguns momentos tivemos quase 70 frades.

Na quarta-feira, dia 4, às 6 horas foi celebrada a Eucaristia de abertura do Capítulo, presidida por Dom Jaime Vieira da Rocha, atual administrador diocesano de Campina Grande, pois ele foi transferido para Natal, como novo arcebispo. Após a Eucaristia e o café da manhã, foram iniciados os trabalhos na sala capitular, e discutido o horário, programação e escolhidos e nomeados frades para os serviços das sessões capitulares.

No dia 5, quinta-feira, vivemos uma jornada de oração e para isso formos ao Santuário Padre Ibiapina, em Santa Fé, perto do povoado de Arara, no município de Solânea, PB. Lá entramos em contato com a vida deste grande missionário nordestino, apóstolo do Nordeste e peregrino da caridade, nascido em Sobral, CE, no ano de 1806.

No mesmo santuário está sepultado o grande teólogo, um dos pais da teologia da libertação, o padre belga José Comblin, falecido em 27 de março do ano passado. Neste ambiente de oração e compromisso com os pobres, refletimos sobre nossa identidade franciscana, ajudados pelo Frei Nestor Schwerz que veio de Roma para assessorar nosso Capítulo. E assim vivemos um dia muito especial para todos nós, preparando-nos para muitos dias de trabalho nas sessões capitulares de 7 a 13 de janeiro. O presidente do Capítulo é Frei Valmir Ramos, nomeado pelo governo geral da Ordem como nosso visitador geral. Frei Valmir, entre os meses de agosto a novembro do ano passado, visitou todas as fraternidades e conversou com todos os frades de nossa Província, preparando assim o Capítulo provincial. Nas sessões do Capítulo entramos em contato com a realidade concreta da Província – vida e missão – através da leitura dos relatórios do Visitador geral, do ministro geral que estava terminando sua missão, dos serviços de animação da Província – formação, evangelização e economia/administração – alem dos relatórios das duas fraternidades da Alemanha. No dia 9, tivemos a alegre e esperançosa presença de Dom Bernardo Johannes Bahlmann, bispo da diocese de Óbidos, no Pará, onde está situada a Missão entre os índios Tiriyó, confiada a nossa Província há 50 anos. Ele falou da realidade dos povos indígenas presentes no território da Diocese e dos desafios para acompanhar pastoral e socialmente nossos irmãos indígenas. Deixou muitas propostas concretas para o fortalecimento da pastoral indigenista na região.

Eleição do novo governo provincial

No dia 10 de janeiro, terça-feira, foram realizadas as eleições para escolher o novo governo provincial, ou seja, os frades responsáveis pela animação da vida e missão da Província. Assim ficou constituída a nova equipe de animação para o triênio 2012-2014:

Frei Marconi Lins de Araújo, ofm (Ministro Provincial),
Frei Carlos Alberto Breis, ofm (Vigário Provincial),

Definidores:
Frei Francisco Robério Ferreira de Sousa, ofm,
Frei José Teixeira Rodrigues, ofm,
Frei Wellegton Jean Barbosa de Souza, ofm,
Frei José Gilton Rezende, ofm,
Frei Severiano Alves Barbosa, ofm,
Frei Gilmar Nascimento da Silva, ofm.


Desafios e perspectivas

Após o dia 10 de janeiro, entramos de cheio na realidade de nossa Província, avaliando o caminho percorrido nos últimos seis anos (2006-2011) e buscando identificar os sinais de vitalidade e de debilidade de nossa vida e missão. Somos chamados a fortalecer nossa vida de frades menores, priorizando a formação permanente e inicial, vivendo mais centrados no Evangelho, fortalecendo a vida em comum – a fraternidade, a oração – e tendo coragem de trabalhar o redimensionamento e a reestruturação de nossas presenças. Temos consciência de que somos poucos – só 150 frades – espalhados num vasto espaço missionário (norte, nordeste e Alemanha), assumindo 16 paróquias e outras presenças e serviços pastorais. Neste Capítulo, experimentamos a força renovadora do Espírito Santo, pela participação de muitos frades jovens assumindo a animação, a litúrgica, as tarefas essenciais como secretaria, o cuidado com a saúde dos capitulares e redesenhando o rosto de nossa Fraternidade provincial com a jovialidade e a esperança.

Como nosso pai e irmão São Francisco, queremos elevar nosso Cântico das Criaturas ao Altíssimo e bom Senhor, que nos fez viver dias tão importantes para todos nós frades desta Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil. Nestes dias sentimos a presença e a solidariedade de muitas pessoas amigas, sobretudo dos lugares onde estamos presentes, rezando por nós, enviando mensagens e nos dizendo que esperam que sejamos verdadeiros franciscanos, seguidores de Jesus Cristo como foi São Francisco de Assis.

Frei Marconi Lins, OFM
Ministro Provincial

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

NOVO GOVERNO PROVINCIAL

Comunicamos que a Província Franciscana de Santo Antonio do Brasil, reunida em Capítulo Provincial, sob a presidência de Frei Valmir Ramos, ofm elegeu, hoje dia 10/01/2012, o seu novo Governo Provincial, constituido pelos confrades:

Ministro Provincial: Frei Marconi Lins de Araújo, ofm


Vigário Provincial: Frei Carlos Alberto Breis Pereira - Frei Beto, ofm

Definidores: Frei Severiano Alves Barbosa, ofm
Frei José Gillton Rezende, ofm
Frei José Teixeira Rodrigues, ofm
Frei Francisco Robério Ferreira de Sousa, ofm
Frei Wellegton Jean Barbosa de Souza, ofm
Frei Gilmar Nascimennto da Silva, ofm

Rezemos para que o Espírito Santo ilumine a caminhada destes nossos confrades.


Atenciosamente,
Frei José Carlos Fernandes, ofm
Secretário do Capítulo

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

domingo, 1 de janeiro de 2012

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI PARA O DIA MUNDIAL DA PAZ


EDUCAR OS JOVENS PARA A JUSTIÇA E A PAZ

1. INÍCIO DE UM NOVO ANO
, dom de Deus à humanidade, induz-me a desejar a todos, com grande confiança e estima, de modo especial que este tempo, que se abre diante de nós, fique marcado concretamente pela justiça e a paz.
Com qual atitude devemos olhar para o novo ano? No salmo 130, encontramos uma imagem muito bela. O salmista diz que o homem de fé aguarda pelo Senhor «mais do que a sentinela pela aurora»(v. 6), aguarda por Ele com firme esperança, porque sabe que trará luz, misericórdia, salvação. Esta expectativa nasce da experiência do povo eleito, que reconhece ter sido educado por Deus a olhar o mundo na sua verdade sem se deixar abater pelas tribulações.
Convido-vos a olhar o ano de 2012 com esta atitude confiante. É verdade que, no ano que termina, cresceu o sentido de frustração por causa da crise que aflige a sociedade, o mundo do trabalho e a economia; uma crise cujas raízes são primariamente culturais e antropológicas. Quase parece que um manto de escuridão teria descido sobre o nosso tempo, impedindo de ver com clareza a luz do dia.
Mas, nesta escuridão, o coração do homem não cessa de aguardar pela aurora de que fala o salmista.
Esta expectativa mostra-se particularmente viva e visível nos jovens; e é por isso que o meu pensamento se volta para eles, considerando o contributo que podem e devem oferecer à sociedade. Queria, pois, revestir a Mensagem para o XLV Dia Mundial da Paz duma perspectiva educativa: «Educar os jovens para a justiça e a paz», convencido de que eles podem, com o seu entusiasmo e idealismo, oferecer uma nova esperança ao mundo.
A minha mensagem dirige-se também aos pais, às famílias, a todas as componentes educativas, formadoras, bem como aos responsáveis nos diversos âmbitos da vida religiosa, social, política, econômica, cultural e mediática. Prestar atenção ao mundo juvenil, saber escutá-lo e valorizá-lo para a construção dum futuro de justiça e de paz não é só uma oportunidade, mas um dever primário de toda a sociedade.
Trata-se de comunicar aos jovens o apreço pelo valor positivo da vida, suscitando neles o desejo de consumá-la ao serviço do Bem. Esta é uma tarefa, na qual todos nós estamos, pessoalmente, comprometidos.
As preocupações manifestadas por muitos jovens nestes últimos tempos, em várias regiões do mundo, exprimem o desejo de poder olhar para o futuro com fundada esperança. Na hora atual, muitos são os aspectos que os trazem apreensivos: o desejo de receber uma formação que os prepare de maneira mais profunda para enfrentar a realidade, a dificuldade de formar uma família e encontrar um emprego estável, a capacidade efetiva de intervir no mundo da política, da cultura e da economia contribuindo para a construção duma sociedade de rosto mais humano e solidário.
É importante que estes fermentos e o idealismo que encerram encontrem a devida atenção em todas as componentes da sociedade. A Igreja olha para os jovens com esperança, tem confiança neles e encoraja-os a procurarem a verdade, a defenderem o bem comum, a possuírem perspectivas abertas sobre o mundo e olhos capazes de ver « coisas novas » (Is 42, 9; 48, 6).

Os responsáveis da educação
2. A educação é a aventura mais fascinante e difícil da vida. Educar – na sua etimologia latina educere – significa conduzir para fora de si mesmo ao encontro da realidade, rumo a uma plenitude que faz crescer a pessoa. Este processo alimenta-se do encontro de duas liberdades: a do adulto e a do jovem. Isto exige a responsabilidade do discípulo, que deve estar disponível para se deixar guiar no conhecimento da realidade, e a do educador, que deve estar disposto a dar-se a si mesmo. Mas, para isso, não bastam meros dispensadores de regras e informações; são necessárias testemunhas autênticas, ou seja, testemunhas que saibam ver mais longe do que os outros, porque a sua vida abraça espaços mais amplos. A testemunha é alguém que vive, primeiro, o caminho que propõe.
E quais são os lugares onde amadurece uma verdadeira educação para a paz e a justiça? Antes de mais nada, a família, já que os pais são os primeiros educadores. A família é célula originária da sociedade. «É na família que os filhos aprendem os valores humanos e cristãos que permitem uma convivência construtiva e pacífica. É na família que aprendem a solidariedade entre as gerações, o respeito pelas regras, o perdão e o acolhimento do outro». Esta é a primeira escola, onde se educa para a justiça e a paz.
Vivemos num mundo em que a família e até a própria vida se veem constantemente ameaçadas e, não raro, destroçadas. Condições de trabalho frequentemente pouco compatíveis com as responsabilidades familiares, preocupações com o futuro, ritmos frenéticos de vida, emigração à procura de um adequado sustento se não mesmo da pura sobrevivência, acabam por tornar difícil a possibilidade de assegurar aos filhos um dos bens mais preciosos: a presença dos pais; uma presença, que permita compartilhar de forma cada vez mais profunda o caminho para se poder transmitir a experiência e as certezas adquiridas com os anos – o que só se torna viável com o tempo passado juntos. Queria aqui dizer aos pais para não desanimarem! Com o exemplo da sua vida, induzam os filhos a colocar a esperança antes de tudo em Deus, o único de quem surgem justiça e paz autênticas.
Quero dirigir-me também aos responsáveis das instituições com tarefas educativas: Velem, com grande sentido de responsabilidade, por que seja respeitada e valorizada em todas as circunstâncias a dignidade de cada pessoa. Tenham a peito que cada jovem possa descobrir a sua própria vocação, acompanhando-o para fazer frutificar os dons que o Senhor lhe concedeu. Assegurem às famílias que os seus filhos não terão um caminho formativo em contraste com a sua consciência e os seus princípios religiosos.
Possa cada ambiente educativo ser lugar de abertura ao transcendente e aos outros; lugar de diálogo, coesão e escuta, onde o jovem se sinta valorizado nas suas capacidades e riquezas interiores e aprenda a apreciar os irmãos. Possa ensinar a saborear a alegria que deriva de viver dia após dia a caridade e a compaixão para com o próximo e de participar ativamente na construção duma sociedade mais humana e fraterna.
Dirijo-me, depois, aos responsáveis políticos, pedindo-lhes que ajudem concretamente as famílias e as instituições educativas a exercerem o seu direito–dever de educar. Não deve jamais faltar um adequado apoio à maternidade e à paternidade. Atuem de modo que a ninguém seja negado o acesso à instrução e que as famílias possam escolher livremente as estruturas educativas consideradas mais idôneas para o bem dos seus filhos. Esforcem-se por favorecer a reunificação das famílias que estão separadas devido à necessidade de encontrar meios de subsistência.
Proporcionem aos jovens uma imagem transparente da política, como verdadeiro serviço para o bem de todos. Não posso deixar de fazer apelo ainda ao mundo das mídia para que prestem a sua contribuição educativa. Na sociedade atual, os meios de comunicação de massa têm uma função particular: não só informam, mas também formam o espírito dos seus destinatários e, consequentemente, podem concorrer notavelmente para a educação dos jovens. É importante ter presente a ligação estreitíssima que existe entre educação e comunicação: de fato, a educação realiza-se por meio da comunicação, que influi positiva ou negativamente na formação da pessoa.
Também os jovens devem ter a coragem de começar, eles mesmos, a viver aquilo que pedem a quantos os rodeiam. Que tenham a força de fazer um uso bom e consciente da liberdade, pois cabe-lhes em tudo isto uma grande responsabilidade: são responsáveis pela sua própria educação e formação para a justiça e a paz.

Educar para a verdade e a liberdade
3. Santo Agostinho perguntava-se: «Quid enim fortius desiderat anima quam veritatem – que deseja o homem mais intensamente do que a verdade?». O rosto humano duma sociedade depende muito da contribuição da educação para manter viva esta questão inevitável. De fato, a educação diz respeito à formação integral da pessoa, incluindo a dimensão moral e espiritual do seu ser, tendo em vista o seu fim último e o bem da sociedade a que pertence.
Por isso, a fim de educar para a verdade, é preciso antes de mais nada saber que é a pessoa humana, conhecer a sua natureza. Olhando a realidade que o rodeava, o salmista pôs-se a pensar: «Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos, a lua e as estrelas que Vós criastes: que é o homem para Vos lembrardes dele, o filho do homem para com ele Vos preocupardes? » (Sal 8, 4-5). Esta é a pergunta fundamental que nos devemos colocar: Que é o homem?
O homem é um ser que traz no coração uma sede de infinito, uma sede de verdade – não uma verdade parcial, mas capaz de explicar o sentido da vida –, porque foi criado à imagem e semelhança de Deus. Assim, o fato de reconhecer com gratidão a vida como dom inestimável leva a descobrir a dignidade profunda e a inviolabilidade própria de cada pessoa.
Por isso, a primeira educação consiste em aprender a reconhecer no homem a imagem do Criador e, consequentemente, a ter um profundo respeito por cada ser humano e ajudar os outros a realizarem uma vida conforme a esta sublime dignidade. É preciso não esquecer jamais que «o autêntico desenvolvimento do homem diz respeito unitariamente à totalidade da pessoa em todas as suas dimensões», incluindo a transcendente, e que não se pode sacrificar a pessoa para alcançar um bem particular, seja ele econômico ou social, individual ou coletivo.
Só na relação com Deus é que o homem compreende o significado da sua liberdade, sendo tarefa da educação formar para a liberdade autêntica. Esta não é a ausência de vínculos, nem o império do livre arbítrio; não é o absolutismo do eu. Quando o homem se crê um ser absoluto, que não depende de nada nem de ninguém e pode fazer tudo o que lhe apetece, acaba por contradizer a verdade do seu ser e perder a sua liberdade. De fato, o homem é precisamente o contrário: um ser relacional, que vive em relação com os outros e, sobretudo, com Deus. A liberdade autêntica não pode jamais ser alcançada, afastando-se d’Ele.
A liberdade é um valor precioso, mas delicado: pode ser mal entendida e usada mal. «Hoje um obstáculo particularmente insidioso à ação educativa é constituído pela presença maciça, na nossa sociedade e cultura, daquele relativismo que, nada reconhecendo como definitivo, deixa como última medida somente o próprio eu com os seus desejos e, sob a aparência da liberdade, torna-se para cada pessoa uma prisão, porque separa uns dos outros, reduzindo cada um a permanecer fechado dentro do próprio “eu”. Dentro de um horizonte relativista como este, não é possível, portanto, uma verdadeira educação: sem a luz da verdade, mais cedo ou mais tarde cada pessoa está, de fato, condenada a duvidar da bondade da sua própria vida e das relações que a constituem, da validez do seu compromisso para construir com os outros algo em comum ».

Por conseguinte o homem, para exercer a sua liberdade, deve superar o horizonte relativista e conhecer a verdade sobre si próprio e a verdade acerca do que é bem e do que é mal. No íntimo da consciência, o homem descobre uma lei que não se impôs a si mesmo, mas à qual deve obedecer e cuja voz o chama a amar e fazer o bem e a fugir do mal, a assumir a responsabilidade do bem cumprido e do mal praticado. Por isso, o exercício da liberdade está intimamente ligado com a lei moral natural, que tem caráter universal, exprime a dignidade de cada pessoa, coloca a base dos seus direitos e deveres fundamentais e, consequentemente, da convivência justa e pacífica entre as pessoas.
Assim o reto uso da liberdade é um ponto central na promoção da justiça e da paz, que exigem a cada um o respeito por si próprio e pelo outro, mesmo possuindo um modo de ser e viver distante do meu. Desta atitude derivam os elementos sem os quais paz e justiça permanecem palavras desprovidas de conteúdo: a confiança recíproca, a capacidade de encetar um diálogo construtivo, a possibilidade do perdão, que muitas vezes se quereria obter mas sente-se dificuldade em conceder, a caridade mútua, a compaixão para com os mais frágeis, e também a prontidão ao sacrifício.

Educar para a justiça
4. No nosso mundo, onde o valor da pessoa, da sua dignidade e dos seus direitos, não obstante as proclamações de intentos, está seriamente ameaçado pela tendência generalizada de recorrer exclusivamente aos critérios da utilidade, do lucro e do ter, é importante não separar das suas raízes transcendentes o conceito de justiça. De fato, a justiça não é uma simples convenção humana, pois o que é justo determina-se originariamente não pela lei positiva, mas pela identidade profunda do ser humano. É a visão integral do homem que impede de cair numa concepção contratualista da justiça e permite abrir também para ela o horizonte da solidariedade e do amor.
Não podemos ignorar que certas correntes da cultura moderna, apoiadas em princípios econômicos racionalistas e individualistas, alienaram das suas raízes transcendentes o conceito de justiça, separando-o da caridade e da solidariedade. Ora « a “cidade do homem” não se move apenas por relações feitas de direitos e de deveres, mas antes e sobretudo por relações de gratuidade, misericórdia e comunhão. A caridade manifesta sempre, mesmo nas relações humanas, o amor de Deus; dá valor teologal e salvífico a todo o empenho de justiça no mundo».
« Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados » (Mt 5, 6). Serão saciados, porque têm fome e sede de relações justas com Deus, consigo mesmo, com os seus irmãos e irmãs, com a criação inteira.

Educar para a paz
5. «A paz não é só ausência de guerra, nem se limita a assegurar o equilíbrio das forças adversas. A paz não é possível na terra sem a salvaguarda dos bens das pessoas, a livre comunicação entre os seres humanos, o respeito pela dignidade das pessoas e dos povos e a prática assídua da fraternidade». A paz é fruto da justiça e efeito da caridade. É, antes de mais nada, dom de Deus. Nós, os cristãos, acreditamos que a nossa verdadeira paz é Cristo: n’Ele, na sua Cruz, Deus reconciliou consigo o mundo e destruiu as barreiras que nos separavam uns dos outros (cf. Ef 2, 14-18); n’Ele, há uma única família reconciliada no amor.
A paz, porém, não é apenas dom a ser recebido, mas obra a ser construída. Para sermos verdadeiramente artífices de paz, devemos educar-nos para a compaixão, a solidariedade, a colaboração, a fraternidade, ser ativos dentro da comunidade e solícitos em despertar as consciências para as questões nacionais e internacionais e para a importância de procurar adequadas modalidades de redistribuição da riqueza, de promoção do crescimento, de cooperação para o desenvolvimento e de resolução dos conflitos.
« Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus » – diz Jesus no sermão da montanha (Mt 5, 9). A paz para todos nasce da justiça de cada um, e ninguém pode subtrair-se a este compromisso essencial de promover a justiça segundo as respectivas competências e responsabilidades. De forma particular convido os jovens, que conservam viva a tensão pelos ideais, a procurarem com paciência e tenacidade a justiça e a paz e a cultivarem o gosto pelo que é justo e verdadeiro, mesmo quando isso lhes possa exigir sacrifícios e obrigue a caminhar contracorrente.

Levantar os olhos para Deus
6. Perante o árduo desafio de percorrer os caminhos da justiça e da paz, podemos ser tentados a interrogar-nos como o salmista: «Levanto os olhos para os montes, de onde me virá o auxílio? » (Sal 121, 1). A todos, particularmente aos jovens, quero bradar: «Não são as ideologias que salvam o mundo, mas unicamente o voltar-se para o Deus vivo, que é o nosso criador, o garante da nossa liberdade, o garante do que é deveras bom e verdadeiro (…), o voltar-se sem reservas para Deus, que é a medida do que é justo e, ao mesmo tempo, é o amor eterno. E que mais nos poderia salvar senão o amor?». O amor rejubila com a verdade, é a força que torna capaz de comprometer-se pela verdade, pela justiça, pela paz, porque tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta (cf. 1 Cor 13, 1-13).

Queridos jovens, vós sois um dom precioso para a sociedade. Diante das dificuldades, não vos deixeis invadir pelo desânimo nem vos abandoneis a falsas soluções, que frequentemente se apresentam como o caminho mais fácil para superar os problemas. Não tenhais medo de vos empenhar, de enfrentar a fadiga e o sacrifício, de optar por caminhos que requerem fidelidade e constância, humildade e dedicação. Vivei com confiança a vossa juventude e os anseios profundos que sentis de felicidade, verdade, beleza e amor verdadeiro. Vivei intensamente esta fase da vida, tão rica e cheia de entusiasmo.
Sabei que vós mesmos servis de exemplo e estímulo para os adultos, e tanto mais o sereis quanto mais vos esforçardes por superar as injustiças e a corrupção, quanto mais desejardes um futuro melhor e vos comprometerdes a construí-lo. Cientes das vossas potencialidades, nunca vos fecheis em vós próprios, mas trabalhai por um futuro mais luminoso para todos. Nunca vos sintais sozinhos! A Igreja confia em vós, acompanha-vos, encoraja-vos e deseja oferecer-vos o que tem de mais precioso: a possibilidade de levantar os olhos para Deus, de encontrar Jesus Cristo – Ele que é a justiça e a paz.
Oh vós todos, homens e mulheres, que tendes a peito a causa da paz! Esta não é um bem já alcançado, mas uma meta, à qual todos e cada um deve aspirar. Olhemos, pois, o futuro com maior esperança, encorajemo-nos mutuamente ao longo do nosso caminho, trabalhemos para dar ao nosso mundo um rosto mais humano e fraterno e sintamo-nos unidos na responsabilidade que temos para com as jovens gerações, presentes e futuras, nomeadamente quanto à sua educação para se tornarem pacíficas e pacificadoras! Apoiado em tal certeza, envio-vos estas reflexões que se fazem apelo: Unamos as nossas forças espirituais, morais e materiais, a fim de «educar os jovens para a justiça e a paz».

Vaticano, 8 de dezembro de 2011.
Fonte e foto: http://www.franciscanos.org.br/n/?p=10190
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...